filhinha do papai

Eu sempre achei que meu pai não quisesse que eu casasse. Primeiro pelo fato que ele não gostava de dividir os filhos dele com ninguém, e segundo por uma lembrança que a super memória armazenou de quando eu tinha uns 10 anos. Minha irmã mais velha estava lá em casa e eu estava mais uma vez pentelhando que queria sobrinhos (hoje eu já tenho 2 enormes!!). Aí mini nanda fala ahh meu sonho é casar na igreja de véu e grinalda. Meu pai torceu o nariz na hora e me questionou porque eu queria casar na igreja. Minha irmã sacou na hora o que eu tava dizendo e explicou que o que eu queria não era a igreja e sim o casamento e tudo que envolvia ele. Ele achou melhor, mas não me convenceu muito, rs.

De qualquer forma tinha o primeiro ponto, ele sempre foi muito ciumento, mas realmente se meu pai pudesse escolher um marido pra mim, provavelmente ele escolheria o Hilas. Ele adorava o fato dele ser espiritualizado e sempre que a gente visitava ele os dois ficavam jogando gamão e jogando conversa fora. Meu pai falava muito (mais que eu, tá), mas quando o assunto era espiritualidade a conversa ficava leve e nem víamos o tempo passar.

Para mim essa foto resume o que o meu pai sentia por mim. Essa cara de não posso deixar o bebê cair, tenho que cuidar é como ele me tratou a vida inteira. Os pais nunca acham que os filhos crescem principalmente os caçulas. (Desculpem a qualidade da foto, isso foi a combinação de uma máquina ruim e um álbum de bebê impossível de escanear. Finge é Lomo, tá na moda, vai!)

Só hoje, ironicamente, eu sei que meu pai estava sim, muito feliz que eu vou casar e contava isso para todos que tinha oportunidade. Uma pena que eu só soube disso agora, mas como na minha opinião meu pai é imortal, pouco importa se ele estará fisicamente, porque eu não tenho a menor dúvida que ele estará presente não só de alguma forma, mas de várias formas. Saudade….